Sobre o trabalho em sala de aula e a não doutrinação dos estudantes.
Sobre o trabalho em sala de aula e a não doutrinação dos estudantes.
Este ano (22) é um ano eleitoral, algumas pessoas costumam
dizer: é um ano político.
A política faz parte do nosso dia a dia. Nesse momento que
você lê esse texto, um número incomensurável de decisões políticas estão sendo
tomadas, no nosso cotidiano e na esfera pública, no município, no estado, no
país e no mundo.
Porém há anos que também são eleitorais.
É salutar que todos os temas importantes da sociedade sejam
discutidos em sala de aula. A questão é sabermos separar as nossas convicções
pessoais do papel que devemos ter enquanto educadores.
Não há isenção absoluta. Nenhum de nós somos isentos, mesmos os que postulam
ter essa pretensa neutralidade, não têm. Pelo contrário, possuem lado e lado
bem definido.
O nosso dever é proporcionar condições para que a/o discente
faça a própria interpretação da realidade e decida como deve intervir na mesma.
Assim, a leitura, a busca de informações fora das bolhas que existem em nosso meio
e, a análise de dados concretos devem ser instrumentos que devemos incentivar para
que nossos estudantes possuam.
Algumas perguntas básicas devem ser constantes em nossas
análises. Por que esta decisão foi tomada? Quais são os interesses que estão por
trás destas medidas? Quem são os beneficiados por estas políticas? Existem
outras alternativas?
Podemos buscar coletivamente muitas questões, como: ```Perguntar
o que é a política? Como ela influencia nossas vidas nas decisões que tomamos,
deixamos tomar ou que tomam por nós? Como compreender os jogos de poder que
existem na política e como as forças de determinadas instituições mudam os
rumos da nossa sociedade? Enquanto cidadãos temos consciência do poder político
que podemos exercer? Sabemos quais são as consequências de nossas escolhas políticas?
``` (Tatá do Sul/Instituto Cultiva).
O cuidado se faz necessário. Porém, o nosso grande desafio é
que, na condução dos trabalhos, a convicção da/o educadora/or não seja imposta
ao estudante.
Por exemplo: se o professor quer fazer um debate sobre os
candidatos a presidente, primeiro deve lembrar que são mais de duas
candidaturas colocadas. Segundo, antes do debate pode solicitar dos estudantes
que pesquisem a vida dos candidatos envolvidos. Ocuparam cargo público? Se sim,
quais foram as realizações de seus mandatos? Quais foram os aspectos positivos
e negativos de suas atuações nos cargos públicos? Se não, qual é a história de
vida que cada um possui, quais as bandeiras ela/e defende?
O momento é mais propício para o debate de programas, de
princípios e de ideias que de nomes. Talvez o nosso erro, na prática das
escolhas que fazemos, esteja nesta inversão, primeiro discutimos nomes, depois
discutimos programas.
Como a nossa profissão é feita de desafios, podemos encarar
mais este e contribuir para que as/os estudantes com os quais trabalhamos sejam
cidadãs/ãos críticos e participativos em nossa sociedade.
Sobrália, 24 de fevereiro de 2022
Antonio Carlos
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