Algumas considerações sobre o retorno dos estudantes às aulas presenciais
Algumas considerações sobre o retorno dos estudantes às
aulas presenciais.
Ouvi em uma palestra que se você quer saber o quanto uma
escola valoriza os seus profissionais faça uma visita à sala dos professores.
Se esta for ampla, bem mobiliada e com considerável conforto, há a sinalização
de que naquela instituição os servidores têm um certo reconhecimento.
Se, ao contrário, a sala dos docentes for um cubico que não
oferece aos educadores condições mínimas de trabalho e descanso, há a
sinalização de que a escola não prioriza seus funcionários.
Dizem que toda regra tem exceção. Não sei se a afirmação do
palestrante é uma regra, mas a partir desse dia passei a observar mais as salas
dos professores das escolas que visitei.
Considerando a regra válida, fico observando o debate sobre
o retorno presencial das aulas diante da sindemia do Covid-19. Nós servidores
somos colocados totalmente à margem desse debate, não temos voz.
A mídia, nacional ou regional, ouve todo mundo:
infectologistas, representantes dos governos, das escolas municipais e pais.
Menos nós trabalhadores em educação. Nossos sindicatos são colocados na
invisibilidade.
Mostram salas de aula, defendem o distanciamento entre as
carteiras e o revezamento dos estudantes, aulas dia sim e dia não. Inventa-se
um sistema híbrido de ensino.
Mas não aparecem as salas dos professores, as cantinas e as
secretarias das escolas. Para parte significativa de nossa sociedade é como se
nós não existíssemos ou fôssemos de pouca serventia. Nossa saúde e nosso
bem-estar não importa.
Isso acontece em uma conjuntura que muitos governos
estaduais, municipais e principalmente o governo federal têm negligenciado
sistematicamente, de forma planejada e consciente, o combate a sindemia do
covid-19. Bolsonaro foi apontado por pesquisadores da USP em parceria com o
Conectas Direitos Humanos como líder de uma estratégia de propagação do vírus.
Também está claro que o país tem uma estratégia de não
vacinação da população. Daí a pressa pelo retorno das aulas presenciais. Se
houvesse vontade política, teríamos insumos e vacinas em quantidade suficientes
para em um curto espaço de tempo dar ao povo brasileiro uma segurança sanitária
para o retorno de muitas atividades, entre elas as aulas presenciais. Porém,
nossa realidade é outra.
O Brasil é o 54º país no ranking mundial de vacinação por
cem habitantes e Minas Gerais é o 17º entre os estados da federação
considerando o percentual da população que recebeu a primeira dose de uma das
doses de prevenção desta doença (dados de três de fevereiro de 2021).
Nos últimos dias, o que mais vimos foram governantes
tentarem se promoverem através de uma campanha de vacinação que não está
estruturada. Faltou avisar o povo: não temos vacinas. É inaceitável que
terminemos o ano de 2021 sem que nossa população esteja imunizada.
Após as manifestações populares dos últimos dias (carreatas,
panelaços, twitaços e outras), os escândalos dos gastos exacerbados com
produtos supérfluos, simbolizados pelos quinze milhões jogados fora em leite
condensado, da queda de polaridade do presidente e do pedido de impeachment de
Bolsonaro feito por lideranças evangélicas e católicas houve uma mudança de
discurso em relação à vacinação. Na abertura do ano legislativo, os chefes dos
três poderes defenderam a imunização da população brasileira, além ,é claro, de
uma agenda de retirada dos direitos dos trabalhadores.
Felizmente temos alguns parceiros, além de nós mesmos (parte
de nós). Vou citar dois exemplos: Graças ao Sind-UTE/MG Zema ainda não impôs o
retorno presencial das aulas e o Instituto Cultiva (Belo Horizonte/MG) está
realizando um estudo sério, técnico e científico para fornecer argumentos
contra o retorno dos estudantes às escolas. A proposta é processar todos que
insistirem no retorno dos discentes.
Cabe, à nós, intensificarmos a pressão por vacinação já,
testagem em massa da população, campanhas de incentivo à prevenção da doença e
responsabilização de todos gestores que estão negligenciando propositalmente o
combate à proliferação deste vírus.
Sobrália, 05 de fevereiro de 2021.
Antonio Carlos.
https://br.noticias.yahoo.com/df-lidera-ranking-de-vacinacao-entre-estados-confira-relacao-202653999.html
https://www.infomoney.com.br/economia/brasil-e-o-54o-em-ranking-global-que-mede-vacinas-aplicadas-a-cada-100-habitantes/
https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/01/4901903-covid-19-pesquisa-diz-que-bolsonaro-liderou-estrategia-de-propagacao.html
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