ONDE ESTÁ NOSSA INDIGNAÇÃO?

 

ONDE ESTÁ NOSSA INDIGNAÇÃO?  

Sobrália, 22 de novembro de 2020


A direção do Sind-UTE/MG – Subsede  Governador Valadares – por meio do Rafael Toledo,  postou ontem um vídeo sobre a situação de nossos colegas no Paraná: Vamos entender o porquê da greve de fome. Também compartilhei o mesmo vídeo em alguns grupos que participo. 


O que me preocupa é o silêncio obsequioso de muitos de nós trabalhadores em educação. Onde está a nossa indignação? *Não vi nenhum comentário e nem um gesto de solidariedade (pelo menos nos grupos que participo). 


Quantos de nós repassamos esta matéria? Seja para grupos das escolas que trabalhamos ou de nossas famílias, ou das igrejas as quais participamos, ou mesmo em nossos perfis dos Facebook ou Instagram. Quantos?


Onde estão aqueles que solidarizaram com a greve dos caminhoneiros escrevendo e verbalizando, "Somos todos caminhoneiros"? Alguém tem notícias dos que se indignavam com algumas ações indesejadas do governo Pimentel?


 As nossas condições de trabalho e de valorização profissional melhoraram ao ponto de abandonarmos as nossas expressões de indignação? Ou o NOVO trouxe consigo o medo e o comodismo? Ou melhor ainda, a indignação de muitos também é seletiva? 


Não sei qual foi a última vez que li ou ouvi a palavra palhaçada.  Antes era uma rotina. 


Você tem ideia do que significa uma greve de fome? Eu não tenho. Sei o que é levar empurrão de policial, ser cercado pela polícia e ter meu carro vasculhado, sentir o cheiro desagradável da bomba de gás e o estômago “embrulhando" em consequência do gás respirado. Sei o que é ser quase atropelado em fechamentos de BR (em 2014 foram três tentativas de atropelamento no mesmo dia, graças a Deus e ao instinto de sobrevivência não fui atingido). Sei o que é bate volta a Belo Horizonte, Ouro Preto, Brasília e tantos outros locais. Sei o que é ficar de meio dia até duas horas da manhã do dia seguinte sem alimentação em uma ocupação da SEE. Mas o que é uma greve de fome eu não sei, nunca fiz. 


Com certeza esta decisão é tomada em um caso extremo, onde não há mais diálogo e perspectiva de negociação, como fizeram Marilda e Abdon em nossa greve de 2011 (enquanto muitos se sujeitavam ao trabalho sujo de ser professor tampão e outros furavam a nossa greve). 


Os colegas do Paraná merecem toda nossa solidariedade e o mínimo que podemos fazer é viralizar esta informação. Romper a invisibilidade,  imposta pela mídia às nossas lutas, é um dos desafios que enfrentamos nos dias de hoje. Se nós não fizermos, quem fará por nós? 


Antonio Carlos

Professor Educação Básica.


*Obs: Com algumas exceções (louváveis exceções).

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