O negacionismo que nos leva ao caos
Tenho percebido há uns sessenta dias a construção de uma
narrativa negacionista da tragédia causada pelo Covid-19 quando o país passou
de mil mortes diárias em média. Hoje
(18/07/2020) já morreram mais de 79.00 brasileiros e, em breve, para nossa
tristeza, chegaremos a cem mil mortes.
Esses depoimentos apresentam casos isolados de curas por
esse ou aquele medicamento, ou a negação do laudo da morte de algum familiar
que teria falecido por outra enfermidade e não pelo covid-19.
Essa atitude é perigosa e nada contribui para o
enfrentamento da pandemia. Comparo esse comportamento ao das pessoas que
deixaram de prevenir da contaminação pelo vírus HIV devido a existência de um
coquetel que garante uma melhor qualidade de vida aos adoecidos.
As pessoas começam pensar que se tem cura, pode-se relaxar
nas medidas de proteção.
As infecções causadas pelo covid-19 se comportam como toda
doença viral. Há pessoas que não
desenvolvem sintomas, há indivíduos que se curam sem nenhum medicamento e, há
os que precisam de atendimento médico hospitalar.
O negacionismo tem um fundo ideológico para impor a chamada
imunização do rebanho, não importando o número de mortes que vamos atingir e
tem ainda um caráter político e estratégico para justificar o caos que o país vive.
Avalio que, grande falha, de parte significativa da
sociedade brasileira, é não ter reagido de forma contundente à omissão
governamental, principalmente do presidente. De ter aderido a posições
ideológicas negacionistas, aceitar que a reabertura da economia estivesse
atrelada a capacidade de atendimento hospitalar.
O mais importante no combate a essa pandemia não é a
capacidade de atendimento médico-hospitalar ou dos possíveis processos de cura,
e sim, a garantia de que as pessoas não adoeçam.
Estamos pagando um preço muito alto pelas escolhas que foram
(e estão sendo) feitas.
Precisamos trabalhar para a superação destes retrocessos e
garantir condições de saída dessas crises (sanitária, política, econômica) que
garantam melhores condições de vida da população brasileira, sobretudo dos mais
pobres.
Sobrália, 18 de julho de 2020
Antonio Carlos
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